Cultivo único de cacau em Oiapoque é promessa de geração de emprego e renda

Janderson Carlos Nogueira Cantanhede - quinta, 05 de dezembro de 2019
Cultivo único de cacau em Oiapoque é promessa de geração de emprego e renda
TCE - Comunicação

O município de Oiapoque possui o quarto maior Produto Interno Bruto (PIB) do Amapá, economia impulsionada por uma forte mineração, um rico setor primário e um tradicional turismo ambiental. Nos últimos anos, o cultivo do cacau de floresta de várzea tem despontado como a nova promessa da região, iniciativa que agrega geração de emprego e renda e alimentação saudável.

A espécie desse cultivo é única no mundo e atende tanto o mercado local como também o nacional e o internacional.

Há três anos cultivando comercialmente o cacau de várzea na região oiapoquense, a Cooperativa Agroextrativista Cassiporé participou no sábado (30/11) do II TCE na Comunidade, realizado na Escola Joaquim Caetano da Silva, em Oiapoque.

O diretor da cooperativa, Dorismar da Paixão, contou que o projeto de exploração econômica do cacau iniciou há três anos, porém, seu cultivo já é antigo na região e atravessa gerações. “Sou filho da região do Cassiporé e desde pequeno conheço o produto. Agora, com mais experiência, resolvemos montar uma cooperativa para alavancar a exploração econômica desse tipo de cacau. Nosso produto pode ser comercializado dentro do Estado, pode estar na merenda escolar por ser um produto saudável, e também comercializado como exportação”, disse.

Todo o estudo de viabilidade técnica do cultivo do cacau de várzea foi feito pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AP). Com base nas informações coletadas e analisadas tecnicamente foi que a cooperativa se estruturou com foco no mercado.

Com a marca Cacau Cassiporé registrada, a cooperativa atua na fabricação artesanal de produtos como barras de puro cacau, gotas de cacau, licor de cacau e de outros frutos também. Atualmente a cooperativa fornece, ainda, amêndoas de cacau para uma fábrica de chocolates no Estado do Pará.

Segundo ele, menos de uma tonelada do fruto é aproveitada pela cooperativa. Contudo, o estudo de viabilidade técnica e econômica aponta que a produção de cacau na região chega a 42 toneladas por ano, quantidade que pode dobrar com o manejo correto e infraestrutura adequada.

Todos os produtos derivados do cacau e que são produzidos pela cooperativa foram degustados no hall de entrada da reunião  tecnica com parlamentares no II TCE na Comunidade. “Ainda não estamos exportando legalmente, mas já mandamos alguns produtos para alguns países. No Brasil, o produto já é vendido para os Estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Brasília e São Paulo. Nesses Estados o nosso produto é transformado em chocolate gourmet, com uma concentração que varia entre 55% e 80%”, explicou Dorismar.

Na reunião técnica do II TCE na Comunidade, envolvendo autoridades estaduais e municipais, Dorismar falou da necessidade de acesso às linhas de crédito para que a cooperativa possa avançar.

O presidente do TCE Amapá, conselheiro Michel Houat Harb, disse que as demandas apresentadas na reunião técnica serão encaminhadas aos devidos órgãos competentes para que as providências sejam tomadas ou discutidas. “Nossa função neste encontro é mediar as demandas da comunidade com o poder público. Somos muito mais do que um órgão fiscalizador, e acreditamos que podemos contribuir com o desenvolvimento do Amapá”, concluiu.

O II TCE na Comunidade levou capacitação técnica, sessão itinerante e ação social ao município de Oiapoque, nos dias 28, 29 e 30 de novembro, com objetivo contribuir com as boas práticas e a melhor aplicação dos recursos públicos.